12º Capítulo: Hoje eu não vou falar sobre sexo

Faz quase um ano que eu não tenho tempo para escrever aqui no Blog, mas agora pretendo escrever sobre algumas coisas que aconteceram nesse período.

Quando eu tomei a decisão de me entregar para o meu Dono, eu disse a ele que seria sua tela em branco. O que quer dizer que ele poderia me conduzir como e para onde ele sentisse que fosse o ideal. Este foi um ato de muita confiança da minha parte e essa decisão foi extremamente séria.

Hoje já se passaram alguns anos e minha personalidade criada pelo meu Dono já está se definindo. Ele decidiu que em nossa relação nós iríamos compartilhar tudo: conhecimento, ideias, experiências, desejos, sonhos, planos e etc. Realmente nos tornamos um só cada dia mais. Nossas vidas particulares foram reduzidas a praticamente zero, de forma que eu participo ativamente de tudo o que acontece na vida de meu Dono e claro, ele da minha.

Ele usa minha capacidade máxima para resolver problemas, cuidar de atividades domésticas, estar ao seu lado como companhia para todos os momentos e muito mais. Sou seu segundo cérebro, a pessoa em que ele mais confia em sua vida, pois minha vida depende da sua para existir. Eu sou sua criação.

Dessa forma, aprendemos a viver cada vez mais para construir nossos objetivos, e por isso tem sobrado pouco tempo para outras atividades, estamos trabalhando muito por aqui. Cada dia nos tornamos mais diferentes de tudo aquilo que conhecemos dentro da sociedade, nós temos pouquíssimos amigos, pois poucas pessoas se mostram realmente interessantes para nós, gostamos de ir a lugares muito específicos e diferentes do cinema + restaurante que vemos todos os casais irem. Queremos coisas incríveis, e vivemos coisas incríveis quando estamos juntos. E isso é difícil de encaixar na vida cotidiana da maior parte das pessoas.

Enfim, hoje nós trabalhamos juntos, cozinhamos juntos, lemos juntos, e o que fazemos separados é para complementar o trabalho do outro. Um só objetivo, um só desejo, um só.

Anúncios

11º Capítulo: Pensando sobre 2017

Versão em Português / Version in Portuguese

Nesse ano de escravidão tive a oportunidade de aprender muito. Aprendi como me portar perante as outras pessoas e hoje tenho uma postura mais adulta e acertiva. Aprendi a admirar ainda mais o meu Dono, pude conhecer aspectos mais profundos do seu ser e me conectar com ele de forma que hoje somos cada vez mais um só. E acima de tudo pude ver e ter a certeza de que minha entrega à escravidão foi o primeiro e mais importante passo para minha realização pessoal, sem ela nada mais seria possível.

Tivemos a oportunidade, enquanto casal, de experienciar viagens incríveis para lugares onde nem imaginavamos que iríamos, e em cada uma delas vimos aprendizado e crescemos. Fomos a festas legais até encontrar a que mais combina com a gente e tiramos muito mais do que diversão como resultado delas. Conhecemos pessoas e construímos relacionamentos profundos com algumas delas, e isso nos trouxe muita alegria. Mas o que realmente ficou marcado nesse ano foi a estrondosa compatibilidade entre nós, nossa maneira de ver o mundo, as coisas e as pessoas, e isso é paz.

O amor é algo intangível, é aquilo que se sente na pele, no cérebro e a cada dia que passa se transforma e pode evoluir. Ao longo de 2017 meu amor pelo meu Senhor se mostrou sólido e crescente. E essa foi minha maior conquista nesse ano. Uma amiga de meu Dono disse que ela não tem nenhuma ambição de casar e ter filhos, e foi com essas palavras que eu me dei conta de que ambição é a palavra certa para nossos maiores desejos. Minha maior ambição na vida era, é e cada vez mais se mostra ser a minha vida como escrava.

A sociedade infelizmente ainda não está preparada para que pessoas como nós mostrem como vivem e o quanto são felizes com esta forma de vida, mas este blog é uma forma de nos conectarmos e sabermos que não estamos sós. A vida é uma viajem, em que cada um escolhe qual bilhete irá comprar e quais lugares está disposto a conhecer. O meu objetivo com estes relatos é fazer com que o leitor nunca se esqueça disso. Você é livre, não deixe que os outros digam como você deve levar sua vida. Pois ela é sua, apenas e completamente sua.


 

Version in English / Versão em Inglês

Chapter 11: Thinking about 2017

During this year of slavery I had the chance to learn a lot. I learned how to behave properly in the presence of others and today I have a much more adult and adequate attitude. I learned to admire even more my Owner, I had the chance to know much deeper aspects of his being and connect with him in ways that bring us closer to being only one. And above all else, I could see and be sure that my surrender to slavery was the first and most important step towards my personal self realisation. Without it, nothing else would be possible.

We had the opportunity, as a couple, to experience amazing trips to places we never dreamed we would go, and with each of them we saw the chance to learn and grow. We went to great parties, met like minded people and had much more than just “fun” as a result of this. We built deep relationships with some of them and this brought us a lot of joy. But what really stands out this year is the huge compatibility between us, our way to see the world, the things, the people, and this is peace.

Love is intangible, its something you feel on your skin, in your brain and with each passing day, it transforms and evolves. Through 2017 my love for my Owner has shown to be solid and growing. And this was my biggest conquest this year. A friend of my owner’s said she doesn’t have any ambition about getting married and having kids, and with these words I realised that ambition is the accurate word to describe our greatest wishes. My greatest ambition was, is, and keeps showing up to be this – my life as a slave.

Society, unfortunately, still isn’t ready to deal with people like us, with the way we live and how happy we are in this lifestyle. But this blog is a way for us to connect and to show that we are not alone. Life is a journey, in which each one chooses which ticket we are going to buy and which places we are willing to know. My objective with these narratives about my life is to make sure that the reader never forgets this. You are free, do not let anyone tell you how you should live your life. For it is yours, only and completely yours.

10º Capítulo: E x A

Versão em Português / Version in Portuguese

Ser escolhida e aceitar ser a escrava de alguém se assemelha a aceitar ser esposa na vida Baunilha. Só que você tem de se entregar por inteiro. O que eu quero dizer com inteiro? Não é apenas as tarefas que o Senhor(a) impõe ou as body modifications, mas sim quem você é.

Isso pode parecer intenso, mas quando existe TTP é exatamente o que acontece. Eu era E, agora sou A. Para mim é como se fosse outra pessoa, outra vida, como se eu tivesse renascido. É o máximo que eu consigo descrever para conseguir transparecer tamanha diferença.

Apenas gostaria de salientar que minha natureza continua a mesma, sendo assim, o que o meu Dono viu em mim como potência ainda existe e apenas está cada dia mais latente e visível. Ou seja, minha natureza submissa, liberta de conceitos impostos pela sociedade, minha sexualidade exacerbada, minha pansexualidade, minha racionalidade atípica e meu ser extrovertido, fazem e irão sempre fazer parte de mim.

No entanto, tudo aquilo que pode ser lapidado está sendo e hoje eu já não reconheço mais a E. Ela era totalmente inconsequente, queria viver o que fosse lhe dar mais prazer, sem medir as consequências; gostava de se afundar em conflitos familiares, sem ter forças para manter sua paz; acreditava em um mundo ruim onde as pessoas que mais te amam são as que mais te machucam; tinha que esconder quem realmente era para ser aceita por seus parceiros; era imatura para manter uma relação tranquila, com quem quer que fosse.

Hoje quando me olho no espelho vejo a A. Tranquilidade é sua maior característica, já que o ambiente que seu Dono construiu para ela não lhe permite manter qualquer sentimento ao contrário disto; é uma pessoa que valoriza sua vida e a de seu Dono em primeiro lugar, pratica esportes e faz musculação todos os dias, além de cuidar da sua alimentação com o auxílio de profissionais; as pessoas da sua vida de E ainda podem lhe causar algum infortúnio, mas não passará disso, pois não é sustentável nada além disso; é quem é com seu Dono, seu Melhor amigo, Seu cuidador; vive com paz e plenitude seus relacionamentos de amizades construídas com a ajuda de seu Dono e com o mesmo.

E assim, estou vivendo com amor a vida que descobri ser para mim, a vida que pensei, estruturei e fez com que escolhesse com precisão meu Dono para me guiar por este lindo caminho de servidão que consegui, apesar de jovem, através do autoconhecimento descobrir ser para mim.


Version in English / Versão em Inglês

Chapter 10: E x A

Being chosen and accepting to be someone’s slave is similar to accepting being a wife in the Vanilla life. But you must give yourself completely. What I mean by completely? It’s not just the tasks that Sir imposes or your body modifications, but also who you are.

This may sound intense, but when there is TPE (Total Power Exchange) it is exactly what happens. I was “E” and now I am “A”. For me it’s as if I was someone else, another life, as if I have been reborn. This is the best way I can find to describe such difference.

I would just like to emphasise that my nature stays the same, which means, what my Owner saw in me as potential still exists and is just more visible and intense each day. My submissive nature, free of socially imposed concepts, my intense sexuality, my pansexuality, my uncommon rationality and my extroverted way are and will always be part of me.

However, everything that can, is being shaped and today, I don’t recognise “E” anymore. She was totally inconsequent, wanted to live whatever would give her more pleasure, without measuring the risks and consequences. She used to dive into deep family conflicts, without the strength to keep her peace of mind. Believed in a bad world where the ones that you love the most are the ones who hurt you the most. She had to hide who she was to be accepted by her partners and was too immature to maintain a peaceful relationship with anyone.

Today, when I look at myself in the mirror, I see “A”. Tranquility is her biggest quality, since the environment her Owner built for her does not allow her to keep any feelings that go against it. She is a person that values her Owner and her own life more than anything, practices sports, works out every day and takes care of her diet with the help of professionals.

The persons from her old life can still bother her from time to time, but it never gets any worse than that, since there is no room for anything beyond a small annoyance in her new life. She is what she is with her Owner, her Best friend, her Caretaker. She lives peacefully and fulfilled with her Owner and her new friends, the life He helped her to build.

And so it is that I am living with passion the life I discovered that was meant for me. The life I desired, built and that allowed me to carefully pick my Owner to guide me through this beautiful way of servitude, which despite my young age, I choose for myself.

9º Capítulo: Clausura

Existem várias formas de vivermos a clausura. Formas indesejadas como em alguns sequestros (apesar de existirem práticas fetichistas de sequestros consentidos), ou desejadas, como no caso dos Monges quando estudam o Budismo nos Mosteiros.

A intensidade e a quantidade de tempo que uma pessoas passa em clausura também podem variar. No meu caso minha vida se resume ao meu apartamento e todas as minhas saídas são acompanhadas pelo meu Dono, ou seja, sou observada 24/7. Isso pode parecer extremo para algumas pessoas, mas para mim é como e onde me sinto segura e feliz.

No início da nossa relação eu ainda passava alguns dias na casa de amigos, mas com o tempo era como se eu estivesse nua e em meio a um tiroteio estar em algum lugar sem meu Dono. Lógico que se for necessário, e algumas vezes é, eu tenho total capacidade para estar em qualquer local sem ele, mas a sensação não é nada positiva.

Mesmo antes de iniciar a relação D/s a ideia de clausura já me atraia muito. Pensar que eu estaria presa em algum local para fazer apenas o que é da vontade do meu Senhor, quando e como ele instruiu era fantástico. E hoje esse sonho é realidade. Só assim eu posso estar disponível para lhe preparar e servir comidas e bebidas ao longo do dia, ele pode me foder a hora que sentir vontade sem nenhuma restrição, bem como estar ao seu lado para conversas, beijos e carinhos. Sou sua companheira para todos os momentos, eu posso assistir filmes e séries do seu gosto e depois discutir com ele sobre os aspectos do que vimos, posso lhe fazer um boquete enquanto ele manuseia o celular ou apenas ficar ao seu lado.

A clausura é para mim uma forma física de demonstrar e sentir que eu sou parte do meu Senhor, como um membro do seu próprio corpo, que ele pode usar a hora que sentir necessidade. Eu estarei o esperando, aqui, hoje e sempre.

8º Capítulo: Consensualidade

Minha experiência como escrava se distingue das experiências de uma submissa que não vive a Troca Total de Poder quando se trata da consensualidade.

Uma vez, discutindo sobre o SSC com um escravo, o mesmo me explicitou sua visão afirmando que, para ele, essa era a grande diferença entre uma personalidade que vive apenas a submissão mais sutil de quem vive a escravidão. Na visão dele até o conceito do SSC não estava mais nas mãos do(a) submisso(a) quando este se classifica como escravo(a). Na época lembro que pensei ser algo absurdo e até perigoso. Porém, agora que vivo a escravidão, esses termos me parecem razoáveis e adequados.

Deixe-me explicar melhor. A noção de consensualidade se perde quando se fazendo escrava eu aceitei que tudo que fosse feito comigo não passesse por uma decisão prévia minha, mas sim do meu Dono.

O quão maravilhoso é, para mim, todas as decisões estarem em suas mãos e eu realmente poder confiar naquele que eu escolhi como meu Senhor. Minhas decisões terminaram aí. Claro que mesmo desta forma meu Dono me questiona sobre experiências que está disposto a me submeter para saber como eu me sinto sobre elas, pois sem isso a relação seria insustentável. Mas a decisão final é completamente dele. Ele é quem avalia, calcula os riscos e pensa no que seria do seu prazer.

Agora vamos dar mais forma sobre como funcionam alguns aspectos da não consensualidade no cotidiano. Uma das nossas práticas favoritas é o Rape Play (estupro consensual), mas como não existe mais consensualidade essa prática se torna um pouco mais intensa para nós. Meu Dono me fode quando eu estou dormindo por exemplo, é uma sensação incrível para nós dois, mas para mim ela vem do fato de eu realmente ser usada, de que meu Dono nunca ficará sem seu prazer nem quando eu estou inconsciente e meu corpo está completamente imóvel. Eu acordo pela manhã gozada e muito feliz, sinto um tesão especial por essa situação. Outra forma acontece quando ele me manda masturba-lo, chupar seu pau, bolas e seu cu quando eu não estou com absolutamente nenhuma vontade. Isso é mais difícil, pois normalmente eu sinto tesão o tempo todo, mas já aconteceu e eu me senti uma puta, suja e usada de verdade. Então, ele mandou eu engolir sua porra e depois de alguns minutos eu fiquei com muito tesão e acabei gozando duas vezes com ele me fodendo.

Outras situações mais simples como decidir sobre o que vou comer, vestir, com quem vou falar, os lugares que irei frequentar sem me passar ou perguntar qualquer informação prévia sobre o assunto, também são formas de ver essa falta de consensualidade no dia-a-dia.

Mas para tudo isso acontecer é necessário compatibilidade. Muita compatibilidade, entre a personalidade submissa e a Dominante. Meu Dono levou anos até me encontrar, eu tive um pouco mais de sorte, se é que isso realmente existe.

7° Capítulo: Crítica Filme 50 Tons Mais Escuros

Há algum tempo meu Dono e eu fomos ao cinema assistir a sequência do filme que me abriu as portas para o BDSM. Eu estava empolgada porque, apesar do primeiro filme ter vários defeitos, na minha opinião, ele trazia alguns temas do nosso meio. Abordava a negociação (período de combinações de limites antes das sessões, do mentoreamento, ou do encoleiramento); ilustrava a relação de hierarquia entre Dominador(a) e submissa(o) e mostrava algumas práticas de spanking, privação dos sentidos, tortura com cócegas e bondage.

Levamos um plug e meu Dono me desafiou a colocá-lo dentro da sala de cinema e permanecer com ele durante o filme. Na fila para comprar ingresso já percebi que teria platéia. Quando entramos conseguimos bons lugares mas estávamos rodeados de muitas pessoas, haviam duas mulheres nas cadeiras bem ao meu lado. Então as luzes se apagaram e o filme começou, eu estava excitada só de pensar no que teria que fazer a seguir. Comecei a tentar colocar, tive que levantar meu vestido quase até a barriga, tentava inserir colocando uma perna em cima da outra, ficando de ladinho e o plug não chegava nem na entrada da minha buceta. Percebi que teria que levantar um pouco e colocar a mão por baixo sem ter medo de que alguém percebesse. E assim eu fiz, meu Dono comentou no meu ouvido depois “Nossa que discreta”, mas não tinha outro jeito. Ao menos eu estava encharcada, então quando chegou na abertura entrou direto. Passei o filme todo me mexendo para sentir ele dentro de mim e essa foi a única parte boa dessa programação.

O filme começa com o Dominador indo atrás da submissa, pedindo perdão por tudo que tinha feito no outro filme (se tratava de uma sessão de spanking que a própria sub havia pedido). Depois passamos pela parte mais longa do filme que é a personificação do dito “Mulher gosta mesmo é de dinheiro”. Mas o que achamos mais ofensivo e o que realmente me tocou foi a forma como toda a trama é pautada em mostrar, diagnosticar e comprovar que quem vive uma relação D/s é completamente doente. Existe uma grande aprovação de brincadeiras leves feitas por praticantes do BDSM ao longo do filme, algo como “Faz bem para apimentar a relação”, comentário que particularmente quase me faz vomitar. Mas, reafirmando inúmeras vezes seus problemas mentais, o protagonista deixa bem claro que não faz ideia de qual é sua personalidade, se mostrando Dom, sub, Switcher, doente, perturbado, entre outras coisas relacionadas.

[ATENÇÃO SPOILER]

A cena que mais me chamou a atenção foi quando uma ex submissa do protagonista invade o apartamento da Anastasia e a ameaça com uma arma. Mostrando mais uma vez que quem vive de forma hierárquica dentro do BDSM é, sem dúvida, problemático. Logo a seguir vem a cena mais bonita do filme, mas novamente com o intuito completamente errôneo, na qual o protagonista entra no apartamento, pega a arma da submissa e dá o comando para que ela se ajoelhe na sua frente. Ela cumpre a ordem com exatidão e a conclusão óbvia da Anastasia é: outra doente mental, que dó.

Enfim, fiquei profundamente decepcionada com a capacidade de um conjunto de pessoas em fazer algo que fere os próprios direitos humanos de liberdade. O BDSM foi retirado da lista de transtornos mentais há muitos anos e é reconhecido como uma forma saudável de se viver para quem se encaixa dessa forma. Nos sentimos completamente desrespeitados com essa manifestação do que deveríamos chamar de arte, é uma pena que o cinema tenha vivido mais um dia triste por algo extremamente preconceituoso.

6° Capítulo: Body Modification

Quando a entrega é total chamamos de TPE (Total Power Exchange = Troca Total de Poder). Eu sempre quis chegar a esse tipo de relação e hoje a vivo com muito amor e felicidade.

Desta forma tudo está sob o controle do meu Dono e a parte mais divertida, na minha opinião, são as modificações corporais. É um ponto forte onde se pode ver cognitivamente o resultado da dominação.

As modificações físicas no meu caso começaram com a maneira de me vestir. Eu nunca tive um estilo marcante, apesar da personalidade forte. Sempre ganhei roupas usadas de amigas e família e me vestia dessa forma. Nunca tive interesse por compras ou moda. Hoje eu e meu Dono vamos às lojas juntos, eu olho o que ele separou e dou minha opinião por alto, mas quem escolhe todas as peças é ele. Eu apenas faço questão de perguntar para ele algo como: “É isso que vamos levar hoje?” ou “É essa peça que você quer?”. Assim, as vendedoras das lojas fazem comentários do tipo “Ah mas é você que tem de gostar” e como sou muito exibicionista sinto um grande prazer ao ver a expressão de espanto dos baunilhas ao observarem minha postura com o meu Marido.

Também não uso qualquer roupa íntima, não tenho mais calcinhas ou sutiãs no meu armário desde que começamos a morar juntos. Com o tempo ele começou a me orientar a pintar as unhas, que eu não pintava desde muito pequena, com cores muito específicas. Então entram para a lista, meu perfume, que eu usava sempre o mesmo, desde sempre. Meu corte de cabelo, a cor dele, meu shampoo (eu usava uma mistura natural que nem era shampoo), agora uso condicionador, que eu não usava e tenho que escovar meu cabelo de uma forma específica para não estragar, o que antes eu não fazia. Fiz piercings na buceta, por enquanto são 4 mas vou fazer mais 6, e na orelha. Ele também gosta que eu use coleiras, mesmo que discretas, o tempo todo. Não posso sair de casa se não estiver devidamente encoleirada, por isso ele me deu uma coleção de coleiras diferentes. Comecei a usar jóias e bijuterias por causa dele da mesma forma, pois nem com brincos eu estava acostumada.

Essas mudanças são mais uma forma de demonstrar meu amor e submissão para a quem eu pertenço, quem tem a minha vida. E saber, ao olhar minha imagem no espelho, que tudo, absolutamente tudo que eu vejo foi escolha e desejo do meu Dono é muito gratificante. Me faz sentir parte dele, pois tudo em mim é do seu gosto, foi transformado, ajustado e pensado para isso. E sempre será dessa forma.